Um ciclone extratropical deu sinais de vida e mostrou, mais uma vez, o poder da natureza. Conseqüentemente a ondulação chegou devastando as praias do Rio de Janeiro e do litoral paulista.
Semana passada nos noticiários as manchetes eram sempre as mesmas: o desastre das chuvas nos morros cariocas e as fortes ondas que invadiram as praias do litoral sudeste, e por incrível que pareça, o surf foi tema dos principais telejornais. Será que o esporte está se tornando globalizado?
A “massa” trabalhava, os mais atentos e chocados com as últimas tragédias acompanhava tudo o que acontecia. Os fissurados por surf contavam as horas para chegar sexta-feira, sem tirar o olho da previsão das ondas enfrentando o frio de São Paulo. O único lugar “quente”, provavelmente, era Ubatuba que realizou a primeira etapa do Brasil Surf Pro, o principal circuito de surf brasileiro. Léo Neves e a Suelen Naraisa reinaram na disputa, realizada na praia de Itamambuca.
O tempo ia esquentando e a vontade de chegar á praia era imensa. No sábado um compromisso impediu de ficar o final de semana inteiro, por isso a idéia de um bate volta no domingo, Estava complicado em arrumar espaço na agenda de todos que iriam completar a barca.
Horário de saída, meio-dia. Mas isso é horário de ir surfar? Essa pergunta todos fazia e meu pai não ficou de fora. Malas prontas para a partida e lá vamos nós. Há cem 100 metros de casa fomos parados pela Polícia Militar Rodoviária. Documentos. Ok. Pneus? Pneus? É, essa ficamos devendo. “Vou ter que guinchar seu veículo, porque seus pneus estão em péssimas condições de viajar em segurança”, essa foi a frase do guarda. O coração bateu mais forte, gelou, pulou e o primeiro pensamento foi: JÁ ERA MEU DIA DE SURF.
Como sempre preservamos a amizade e a boa conduta, um policial conhecido resolveu liberar a gente, porém o que quis levar nosso veículo deixou avisado. “Se eu estiver na estrada e pegar vocês indo embora o carro vai pro pátio. Sem chances, liberei pela amizade que vocês têm com o Júnior (nome fictício), mas na volta não vão passar por mim”. Depois do psicológico muito bem aplicado, não prestamos mais atenção em nada. Só queríamos surfar e pronto. Mas o bendito discurso...
Após algumas ondas surfadas em um mar storm com correnteza decidimos esticar a viagem. O local escolhido foi Bora Bora, mesmo assim, o tal do oficial, não saia da cabeça. Ele quase estragou o nosso dia, mesmo sem prender o carro.
A típica parada para ver as condições do mar foi mais rápida do que de costume. “Nossa é aqui mesmo”. Não vai adiantar voltarmos, afinal as horas passavam e o mar lá não estava favorável.
O final de tarde que paulistanos não conseguem ter na cidade cinza mostrava suas cores no litoral. As ondas perfeitas, vento terral e água na temperatura ideal junto com os raios do sol que rasgavam as nuvens e refletia na paisagem eram momentos impagáveis.
Na cabeça só passava o sentimento de alívio, por ter descido a Serra em pleno domingo. E que nem o “seu guarda” que quase acabou com o dia passou pelas nossas cabeças. Esquecemos de tudo. E eu, particularmente, agradeci a Deus por ter me dado o dia de surf que ninguém paga.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
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Esqueceu de dizer que saimos fugidos do "seu guarda".
ResponderExcluirConsequencias: fuga da polícia, febre, dor no corpo, tosse, resfriado e uma briguinha básica.
Tudo vale a pena por um dia memoravel de surf!
Boas Ondas
Parabéns Ricardo, o blog tá fodaaa mano
ResponderExcluircontinue assim
abraçoo